quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

OLD LOVE...



Fui buscar minha avó hoje na rodoviária. Ela vai ficar em São Paulo até o dia primeiro de janeiro (meu aniversário).
E enquanto eu esperava ela na rodoviária eu pensava o quanto eu estou com saudades do meu avô, como eu gostaria de vê-lo descendo do ônibus ao lado dela. Queria muito que ele estivesse aqui pra gente tomar aquele café, bater aquele papo e contar as piadas que só ele sabia contar. Queria ouvir mais uma vez ele me contando o sonho que ele teve comigo.
Ele começava assim:

"Nany, eu sonhei com você hoje. Sonhei que você era uma borboleta que voava pelo céu com um monte de anjos atrás de você. Os anjos tocavam harpa e cantavam, bicha, bicha, bicha".

Esse era o meu avô. Esse era o nosso jeito de demonstrar carinho, amor e respeito pelo outro - sempre brincando muito com o outro, sempre falando muito palavrão. Infelizmente ter vindo para São Paulo me custou ter que ficar longe dos meus avós. Foi um preço caro que eu paguei. Não faz um ano que meu avô morreu, mas faz um ano que não vejo ele. Nosso último encontro foi no meu aniversário desse ano. Meu último abraço, meu último beijo, meu último sorriso.

Eu queria que ele estivesse aqui, só para ver esse pequeno pedaço que eu conquistei no meu trabalho. Eu queria que ele estivesse aqui só pra eu me sentir um pouco mais feliz. Na verdade eu queria que ele estivesse aqui pra nada, só pra ele estar aqui. Só pra eu poder ouvir a voz dele do outro lado do telefone e receber o abraço mais gostoso de feliz aniversário que eu poderia receber.Ao contrário disso, eu vou sumir no dia primeiro de janeiro, sem telefone, sem rumo, sem deixar notícias, talvez sem sorriso no rosto e sonhando em nunca mais voltar.

Que a vida não seja só isso aqui. Que exista alguma coisa além, que ele esteja bem e que ele possa sentir o meu coração batendo por ele, já que o dele bate muito forte dentro de mim.
Que um dia a gente se reencontre e que esse dia chegue num piscar de olhos.

Que ele tenha partido com a certeza de que ele foi muito amado e querido por esse neto. E que a gente possa conversar muito durante as noites longas que tenho tido.

Até um dia desses meu amigo!


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

22/12/80



Como vocês podem ver, essa data é uma das marcas que eu carrego no meu corpo.
Há 29 anos meus pais se casaram e essa foi a maneira que eu achei de homenagear meus pais. No pulso a data de casamento com a pulseira significando meu laço e o símbolo do infinito no nó da pulseira.
E hoje eles completaram 29 anos de casados. 29 anos de muitas coisas que só eles podem contar, já que eu nem faço idéia de tudo. O pouco que eu sei já me deixa assustado e com a certeza de que eles foram guerreiros... e sempre juntos.
E se tem uma coisa que eu tenho certeza nessa vida é que eles são felizes. Mas confesso que sempre disse que eles deveriam ter parado no primeiro filho. Meu pai fica bravo quando eu falo isso, mas é verdade. É o que eu sinto, já que nenhum deles perguntaram se eu tava afim de cair nesse buraco chamado vida. Mas eu cai e agora não tem o que fazer a não ser tocar os dias.
Só quero que eles possam viver mais 29 anos juntos e intensos como esses que eles viveram. Que o cara lá de cima não sacaneie com nenhum dos dois porque aí sim ele vai comprar uma briga sem fim comigo.
Agora vou terminar minha garrafa de conhaque que já está no fim, meu corpo não aguenta mais, mas essa garrafa é meu brinde aos meus pais.
Que eu possa encostar a cabeça no travesseiro sem a certeza do amanhã. Que o hoje acabe aqui e agora.
Por fim, deixo o vídeo de "As rosas não falam " do grande Cartola. Essa música é a música do casal.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ANOTAÇÕES

Desde que ela se foi eu nunca mais vi o sol nascer. Meus dias foram noites escuras e frias. Não que eu não goste do frio e da escuridão, mas eu prefiro que tudo isso aconteça lá fora e não aqui dentro de mim.

Mas ontem a noite tinha a obrigação de ser especial. E foi. Graças a um número pequeno de pessoas que fazem parte dos meus dias.
Porém não posso negar que fui pego de surpresa por algo simplesmente lindo. Uma amiga, ou melhor, uma nova amiga apareceu com um embrulho e disse que era um presente. Simplesmente me deparo com o livro "Para sempre teu,Caio F." da Paula Dip - um livro com cartas, conversas, memórias do Caio Fernando Abreu. Quem me conhece sabe o quanto eu admiro o Caio, o quanto eu me identifico com o que ele escreve.
Eu sempre achei livro um presente especial. Nao dou livro para qualquer pessoa. E geralmente eu sempre descubro as pessoas com os livros, mas ontem foi a minha vez de ser descoberto.
Então para mim ontem não existia nada, não existia passado nem futuro, eu só queria viver aquilo com aquelas pessoas como se fosse meu último dia de vida. Queria ser intenso com a certeza de que o amanhã não nasceria para mim. E foi assim que eu vi o dia clarear e o sol se instalar em um céu limpo às oito horas da manhã.
E apesar do sono, eu cheguei em casa e fui direto para o livro ganhar algumas páginas dessa próxima viagem que farei.


"Oi, to descobrindo que ocê me entende muito e que eu te entendo muito, sacô? Num ligue não, assim de repente é porque minha cabeça foi lááááá e tá duro de voltar, sabe como é?"


[Caio Fernando Abreu]


Essa é só uma parte das dedicatórias que esse livro contém. Gigi, muito obrigado pelo livro (e principalmente pela amizade).
Beijo do amigo para sempre teu,

Chico R.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

CARTA



Que todos perdoem a minha loucura, ou a minha antecipação, mas se eu continuar calado eu estarei puxando a corda no meu pescoço.
Que todos entendam que a maior motivação que tenho é o amor próprio.
Que todos acreditem na minha vontade de mudar, de conhecer, de esquecer e principalmente de amar.
Mas que principalmente você entenda, acredite e me perdoe.
Com carinho...

C.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

SILÊNCIO



Quem frequenta esse blog e me conhece sabe do enorme carinho e admiração que tenho pela Pri Nicolielo. Apesar de eu nunca ter lido algum texto dela eu sei que ela é uma puta escritora. Sinto isso só de acompanhar o blog dela. Cada palavra, cada linha que a Pri escreve ali é algo que me toca bem fundo e faz sangrar algumas das minhas muitas feridas não cicatrizadas.
Hoje a Pri me ligou pra saber como eu estava (já que ela soube da minha crise renal). Ela me disse que está feliz. E eu fico feliz por ela. Mas ela foi mais fundo... disse que ser feliz não é legal porque a gente acaba camuflando todos os problemas.
E tudo isso me fez pensar em algo que priorizo muito - o tal do amor.
Amor é algo que não se ensina, nem se explica. A gente não consegue chegar para o tal do nosso coração e dizer: vai fundo nesse caminho que vai ser melhor pra você e pra mim.
E no entanto a gente se pega muitas vezes ensinando o nosso "coração" a deixar de amar. Como ensinar o contrário daquilo que não conseguimos ensinar?
Eu não quero terminar esse copo de uisque e descobrir que não te amo mais, mas adianta alguma coisa eu continuar te amando? Se bem que eu não conseguiria deixar de te amar, por mais que eu tentasse.
Eu só não queria deixar de acreditar nesse sentimento que é tão involuntário que o torna sincero demais... mas talvez o amor seja uma invenção do século 21 e mais uma vez eu tenho certeza de que eu nasci numa época que não é a minha.
Bom, vamos lá... o copo está vazio, a cabeça cheia e os olhos pesados. Vamos bater um papinho. Talvez eu o ensine algumas coisinhas, mas talvez ele me ensine muito mais do que eu possa imaginar.

ÚLTIMO DIA


Hoje às 23h00 tem a última apresentação de " Se você me amasse ". Foi uma temporada curta, porém "du caralho".


Ano que vem tem mais. Deixo aqui o que meu grande amigo Paulo Neto escreveu sobre a peça em seu site: http://www.dropsmagazine.com.br/colunas.php?id=000007


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"SE VOCÊ ME AMASSE" cativa pela reversão dos clichês, agilidade da direção e entusiasmo do elenco.




"Boa surpresa a peça "SE VOCÊ ME AMASSE", primeiro texto teatral do arquiteto-cenógrafo-colunista DUÍLIO FERRONATO.


Dois rapazes ensaiam uma peça, moram juntos, confundem-se ludicamente com os personagens, apaixonam-se e de maneira muito bem-humorada e perspicaz, fazem abordagens a respeito de relacionamentos, tesão, sexo e casamento. É sobre o amor ou a descrença nele nos dias atuais. Falar de clichês sem se tornar clichê é uma arte difícil! Que sorte o criativo e ágil texto do recém-dramaturgo cair nas mãos de alguém com a competência do multidisciplinar OTÁVIO MARTINS.


Fica difícil decidir se Otávio é melhor atuando, dirigindo ou escrevendo. São de qualidade todos os projetos nos quais ele se envolve: Seu urgente texto "Mediano" é um sucesso de críticas. Sua atuação em "O Livro dos Monstros Guardados", peça de Rafael Primot, é amedrontante. Sua direção aqui, tem a destreza de deixar leve um tema que poderia ser maçante. Há inúmeras repetições de frases e diálogos na peça. Mas, ao mesmo tempo, nada parece repetitivo ou enfadonho. A agilidade da direção envolve.


CHICO RIBAS vem amadurecendo dramaticamente de maneira admirável. Seu personagem é cínico, engraçado, cético e confuso na medida certa.
Chico começou com participações pequenas em algumas peças do Satyros como "120 Dias de Sodoma", mas seu entusiasmo e inteligência cênica logo fizeram com que ele se destacasse diferentemente. Ganhou figuras divertidas e repletas de frescor ao lado de Alberto Guzik em "O Monólogo da Velha Apresentadora" e "Liz". Em "Vestido de Noiva" assumiu um papel com praticamente minutos de ensaio e saiu-se incrivelmente bem. Agora, Chico teve sua chance de realmente mostrar seu ótimo trabalho. Um jovem ator doce e cativante, que ainda encantará muitos diretores e muitos espectadores.


JÚLIO OLIVEIRA é um dos rostos novos e cheios de vigor no longa "Salve Geral" (no papel do garoto expert em computadores, "HD"). Em breve estará no musical "O Rei e Eu", com direção de Jorge Takla, ao lado de Tuca Andrada, Cláudia Netto e Bianca Tadini.
Aqui, teve sua chance também de provar-se seguro no palco, com o romantismo e o sarcasmo misturados com desenvoltura para sua (pouca) idade. O garoto mostra uma versatilidade de tons e emoções de dar gosto de ver.
No palco apenas uma cortina branca, que se desdobra como um tapete largo e mostra o desenho rabiscado de uma cama. Ao fundo, uma janela aberta. Num bonito momento de projeções vemos imagens que seriam do cotidiano doméstico dos garotos: escovas de dentes no mesmo recipiente, pés compartilhados, livros, filmes.


Na trilha sonora, "Strangers in the Night", na voz de Frank Sinatra. Emocionante ver o brilho nos olhos dos atores ao fazer vir à tona questionamentos tão atuais, facilmente identificáveis. " - por Paulo Neto



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Termino deixando minha mais nova frase: "A pior parte do fim do ano, é o começo do ano seguinte".

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

(...)


Como essa peça é poderosa. Impressionante. Como é lindo ver esses quatro atores sempre com muito tesão pra fazer "Uma pilha de pratos na cozinha".

Como essa peça dá um nó no meu peito. Uma tristeza profunda é sempre depositada em mim quando leio ou assisto a peça (e seja no ensaio, onde os atores estão mais descontraídos), essa peça é forte só de pensar nela.

Começaram os preparativos. A expectativa é muito grande. O Marião lá no hospital já ta sabendo que vamos fazer. E com certeza ele deve tá mega feliz e orgulhoso.

Estou ansioso por quinta feira. Quero ver todo mundo saindo daquele teatro com lágrimas nos olhos e o coração bem amassado.


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"CRISTINA : Será que dói? (pausa - ninguém fala nada) A morte...será que dói? Meu sobrinho de cinco anos perguntou isso pra mim hoje. Eu não sabia o que responder. Sabe o que mata de verdade? A espera. Pensei em antecipar as coisas. Um hotelzinho no cu do mundo, o aviso de "não perturbe" na porta. Uma banheira, um corte preciso. Algumas pílulas, sei lá. "

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"JULIO : Ela aparecia por aqui, tirava minha cabeça da privada, limpava meu vômito, esvaziava os cinzeiros e cantava Billie Holiday pra eu dormir. Aí um dia apareceu um cara que foi logo tirando o casaco e colocando em cima da cadeira. Ele tinha aquele olhar confiante dos caras que andam com medalhões no pescoço. Ele disse que tinha certeza sobre as coisas. Não há como competir com alguém assim. Ela colocou o casaco dele sobre os ombros e foi embora. Ele foi atrás dela. Eu fiquei aqui, o gato de apartamento olhando pela janela. De vez em quando um pombo desorientado se espatifava na janela. Alguns tem mais sorte que outros.

CRISTINA : (aparecendo na porta) Eu não quero olhar pra você e saber que lá no fundo você já não sente a mesma raiva. Que substituiu a raiva que tinha por pena, comiseração ou qualquer sentimento tido como mais nobre. A raiva faz você tossir, beber como um camelo ou fumar como um possesso até contrair câncer no pulmão. A raiva é santa."

Puta texto du caralho!